La Paz I Bolívia
La paz é o contrário de La Paz

Caos, confusão, trapalhada, barulheira, La Paz. Esta é uma daquelas cidades onde é muito difícil arranjar uma ponta por onde se lhe pegue. Podíamos pegar pelos pontos do alto e das encostas das montanhas, onde não há superfície em que não se avistem pontos de casas – parecem montes pixelizados em tons-terra. Também podíamos pegar pelas pontas brancas de neve da cordilheira dos Andes, que se vêem por quase toda a cidade. E podíamos pegar pelos pontos verdes do bairro arrumadinho de Sopocachi, com uma Plaza de España, um parque para miúdos, restaurantes e cafezinhos simpáticos. Ou então pela pinta dos murais grafitados por toda a cidade, conta-se muita História e faz-se muita comichão por estas paredes.

Mas também é de gente trombuda, mercados de bruxedos e bruxarias que se faz La Paz. Foi por entre alpacas secas, reduzidas e embalsamadas, montes de talismãs e feitiços embalados que entramos na cidade. Saímos com cremes de placenta para as manchas, chás purificadores para o sangue e hidratantes de amêndoa para o corpo. Subimos e descemos ruas de camisolas lã de alpaca, gorros e boinas de listas coloridas, tendas de brincos e anéis, colares e pulseiras, e as agências de viagem a disparatar Rotas da Morte, Lagoas Verdes, Hóteis de Sal e Salares de Uyuni por todo o lado. Ao terceiro foi de vez, fomos na cantiga do rapazolas que até parecia honesto, tinha um sorriso simpático, os óculos tortos e ainda arranhava um português com sotaque do Brasil. Comprámos-lhe tudo – o bilhete para Uyuni, os três dias do Salar, das Lagoas, dos Geysers e dos Vulcões, o transfer da fronteira e o bilhete para San Pedro de Atacama.

Voltamos a ter as mochilas pequenas preparadas com as roupas quentes, os protectores solares e os óculos de sol. Vamos andar 3 dias numa 4x4 com mais 5 pessoas. Quando chegar a roupa da lavandaria, seguimos.