Copacabana I Bolívia
La isla bonita

Chegamos a Copacabana, mas da Bolívia. Mais uma cidadezinha construída sem rei nem roque, prédios altos que se levantam num alinhado de casas rasteirinhas de telhados de zinco. Placas de latão a chamar para os almuerzos e os baños, chapas ferrugentas a oferecer hostels e hotéis, mais as tendas, as barracas e os mercados de riscas em tudo e mais alguma coisa. Nas margens do lago Titicaca, Copacaba, o lugar dos Quechuas e dos Anymaras e, talvez, por isso os traços indígenas estejam em todos os cantos, as duas tranças de pompons sempre a jeito e as pequenas cartolas aprumadas nas cabeças das mulheres. Andámos por lá à solta e sempre íamos parar ou ao mercado, ou ao lago, ou à catedral. Mas Copacabana acima de tudo, é um porto para a Isla del Sol. E é por isso que cá estamos.

No nosso barco a dez à hora vão mais dois amigos de Salkantay. E nas duas horas que se seguiram até à Isla del Sol, o Joe fala-nos dos seus vinte e sete, do baixo, dos projectos musicais e das experiências medicinais e alucinogénicas pela Amazonia. O Americano, daqueles casos que já não se pode perguntar o nome porque já se devia saber, vive outra crise de idade, ele quer deixar a biologia para se dedicar à poesia e à ficção, muito convencido do que o povo americano vive debaixo de medo e a culpa é toda dos media. Recomendamos-lhe vivamente Don De Lilo (já o Joe lhe tinha dito o mesmo).

Isla del Sol, chegámos ao ponto de partida do Império Inca. Tudo aponta para que a civilização Inca tenha nascido aqui. Isla Sagrada dos Incas, Isla de santuários ao Deus Sol, Isla de ruínas e da rocha sagrada. Incas Incas Bla Bla Bla. Mas espera-nos uma travessia de quatro horas, do Porto Norte temos de chegar ao Porto Sul, e este é daqueles casos em que chegamos e dizemos – “não há mais?”. Em quatro horas o lago passou de águas-turquesa-caribe, a águas azul-petróleo-adriático, praias do Golfo da Tailândia e escarpas à Big Sur, mas se juntássemos tudo jurávamos que estávamos em pleno mediterrâneo, de uma Ilha Grega a ver outra. Mas estamos no Titicaca, na Ilha onde o Sol cria todas as ilusões.