Cali I Colômbia
A menina dança?

Uma salsa pode ser picante, pode ser doce, agridoce, mais suave, mais encorpada. Há quem abuse na salsa, quem se lambuze com salsa, quem ponha salsa em tudo. Salsa chocolate, salsa cravo e canela, salsa chili com sal. Salsa, salsa, salsa, salsa. Um, dois, três, quatro. Quatro por quatro. Jeito sensual, ritmo quente, voltas subtis, corpo contra corpo, costas direitas e movimento de caderas. Assim se percorrem as calles e carreras de Cali. Bienvenidos a la Capital de la Salsa.

Desde de que entrámos pela América Latina que este tempero nos persegue, que se converte em passos, que entra pelos nossos movimentos, que nos endireita a postura e nos encolhe a barriga. A princípio foi descoordenação, pisa-pisa, trambolhice, desequilíbrio e muita vergonha. Agora levanta-se o pescoço à cata de quem sabe, olha-se para os pés no chão, a ver quem os mexe melhor, e já se dança, já se aceita o convite, troca-se de par, troca-se de passo. Todos têm o seu próprio passo. E também isto é salsa, cada um com o seu tempero, mexe-se mais depressa, mexe-se mais devagar, sacode-se, agita-se, envolve-se, a gosto.

Cali é uma volta pelo centro da cidade e um rodopio pelo Tin Tin Deo noite fora. Parejas feitas e desfeitas, profissionais e amadores, jeans justos e rabos empinados, camisas brancas e calças de linho, shorts e wonderbras, cabelos longos e muito gel. é uma coreografia em tempo real, os movimentos entrelaçam-se, os pés entrecruzam-se, as voltas são perfeitas, como se tivesse sido tudo muito bem ensaiado. A salsa está-lhes no sangue, fervem com um chan-chan e fundem com as quebradas do pacífico.

E só não há fotografias do baile, porque passámos a noite a dançar.