Granada I Nicarágua
Azarpar

Serão doze horas de viagem e três países de estrada.

Saímos pela fresca de El Tunco no “público” para San Salvador, mas a fresca já marca mais de trinta graus e o sumo de maçã de latinha não chega para a sede. Numa hora estamos na capital. San Salvador é feio, assim de passagem a atravessar a cidade até ao terminal de autocarros, casas velhas e desleixadas, paisagem de favela sem vida de favela, um ar mal amanhado de prédio alto espetado aqui e acolá. Tínhamos duas horas para nos passearmos por lá, mas escolhemos as cadeiras da sala de espera para matar o tempo do passeio.

Desta vez vamos num autocarro King Quality, o único que nos venderam, já que não há mais do que duas companhias de autocarros na América Central. Mas se é King Quality dá direito a três filmes, um almoço tipo avião, café com galletas a meio da tarde e um jantar ensanduichado. E se as primeiras quatro horas foram à lorde, a passagem pela primeira fronteira não foi nada nobre, terra batida de lixo no chão, maltrapilhos desgrenhados, de cara suja e sem dentes, hondurenhos a bafejarem álcool e desaforos a troco de umas moedas. Entramos nas Honduras, quatro horas de estrada por este país de passagem e a mais violenta de todas as tempestades, mesmo por cima de nós, sem uma hesitação do motorista, sem um desvio de rota, sem uma paragem. Pára-brisas no máximo, filme da acção na tv e lá vamos nós até à próxima fronteira – Nicarágua. Estamos na Nicarágua. Aquele país que nunca se sabe muito bem onde é que é, em que parte do mapa é que fica, qual é a capital – Manágua. Chegámos a Manágua, chegámos com duas horas de atraso e dividimos o táxi com três alemães de vinte e pouquinhos. Dormimos todos no mesmo quarto, mais os gatos e os mosquitos.

Na manhã seguinte não quisemos saber de Manágua e fomos com as galinhas até Granada. Ahhh mais uma cidade colonial, desta vez com um grande lago e um bocado mais sujinha, mas sem tantos cafezinhos e esplanadas para o cafezinho, que só por acaso, é o melhor de todos. Saímos de lá a patinhar na lama, à espera que o Chicken Bus enchesse e nos levasse dali até à praia de San Juan del Sur.

Andamos a fazer questão de ir a uma ou outra praia do Pacífico, mas sem grandes alaridos, por isso quando chegámos ao vilarejo tomado por gringos e estrangeiros de todo o lado, nem os pés fomos molhar. A areia não é branca, não é fina, a água não é transparente e a envolvência não é nada do outro mundo. Mas sim, está cheio de backpackers e surfistas, que andam de hostel em hostel, de shutle em shutle, para chegarem às festas que por lá se vão fazendo, à segunda é num, à terça é noutro e por aí em diante. Mas não estamos muito para aí viradas e zarpamos na manhã seguinte.

Mais uma fronteira, Costa Rica. Chegamos ao final do dia a San José, uma outra cidade sem graça e sem jeito, mais tarde saberíamos que lhe chamam o “Pueblo” da Cidade do Panamá, assim com ar de esgar e nariz empinado. Mas não estamos muito para aí viradas e zarpamos na mesma noite.