Beijing I China
Entre muros

amoxil without prescription

amoxicillin cost without prescription

abortion clinics las vegas nv

abortion clinics las vegas nv trailtenders.org

abortion pill online usa

buy abortion pill online usa developersalley.com

suboxone naltrexone and naloxone

naltrexone vs naloxone mechanism of action click here

venlafaxine alcohol withdrawal

venlafaxine alcohol
Percebe-se que nos estamos a aproximar do Ocidente quando nos começa a faltar o tempo. O Ocidente começa na China, furiosamente, aceleradamente, tudo acontece na simultaneidade do que já aconteceu e do que está para acontecer. Nós apressamos o passo, acordamos com despertador, andamos a toque de caixa, a ver se ganhamos o tempo que já está perdido.

Pequim é tão grande que nem sabemos quão grande é Pequim. Durante dois dias circunscrevemo-nos ao rectângulo circular delineado a templos, pagodas, museus e memoriais, enormes edifícios em linhas orientais, comunistas, soberanas, que encarceram a cidade proibida, ao centro. Mas a cidade proibida é de livre circulação a quem paga o ingresso. Não há fachada vazia, escadaria sozinha, porta solitária ou jardim recolhido – milhares de turistas, de olhos em bico, avançam em massa, e se tentamos ficar-nos para trás, chega-nos a nova remessa de milhares de turistas a avançar em massa. A cidade proibida atordoa-nos lentamente até só restar o olhar vazio, o comentário enfastiado, o “tudo igual” em repetido vezes sete. Seriam precisos contadores de História, dormidas e comidas pelo meio, e menos ingressos, para sentir a solidão de uma cidade feita para um Imperador, fechado em muros cegos, de portas superlativas e áreas capazes de anular gente muito grande – ainda há dois dias vimos o último Imperador, a impressão com que ficámos não há maneira de se misturar com a massa.

Ao terceiro dia saímos do circuito rectangular.

O Palácio de Verão é um lugar de Inverno. Cheio de brumas e horizontes enevoados, como se fosse uma terra mística, cheia de reflexos e projeções irreais. Tarde de Domingo, tarde inteira sem estacar passo, sem tentar acelerá-lo, assim sempre numa cadência de quem vai até ao fim de um horizonte.

Ao quarto dia saímos da cidade.

A Grande Muralha. A muralha que atravessa a história da China, que demarca uma geografia de rivalidades, que trespassa mais de um milhão de operários, quase um milhão de mortos. A Grande Muralha da China são 8 mil quilómetros de falta de diplomacia. São sete metros de desconfiança por sete metros de despotismo. Custa andar por lá, custam todos os degraus, rampas, taludes e declives encrustados nas montanhas, custa o sol quente e a aragem gelada, custa o excesso de roupa que transpiramos pelo excesso de zelo que nos venderam. E custa não poder atravessar mais, não ir mais longe, não fazer a próxima montanha. Custa não poder seguir a muralha China dentro.

Todas as noites voltamos a casa.

A nossa casa é da Chiara, da Gili e do Rob. Na nossa casa toca-se e canta-se blue grass, cozinha-se pasta e shakshuka, bebem-se cervejas, rum filipino, vêem-se filmes e conversa-se até tarde. Um irlandês, uma italiana e uma israelita que por uma semana nos fazem lembrar os amigos de casa, da nossa casa das flores.