San Francisco I USA
People in motion, people in motion.

Há flores imaginárias nos cabelos de San Francisco, há lenços rockabily, há chapéus, há cortes de cabelo esquisitos, há fitas, há apanhados e tranças nos cabelos de San Francisco.

San Francisco é tão cool. é cool aos 60 anos de headphones na cabeça, a pedalar pelas ruas, é cool de bikini e de fato de banho estendidos nos jardins ao sol, é cool na liberdade de amar, é cool nos cães grandes a correr, é cool nos combos e nas jams improvisadas a dar ecos de jazz ao parque, é cool nas lojas de discos raros, é cool nos muros dos grafitters e nos murais do Riviera, é cool nas descidas de skates e patins em linha, é cool nas meninas de camisa de homem, é cool nos meninos de bigodaça.

San Francisco é a cidade mais cool por onde passámos, e é também a mais bonita. Não é só porque está tudo pintado de fresco e posto no sítio, não é só pelas casas vitorianas e pelas vivendas de madeira, nem pelos eléctricos do século XIX, nem pelos jardins e zonas verdes que se estendem por toda a cidade, não é só pela singular geografia de altos e baixos, colinas e planos. Não é só pelo mar, nem pela vila de pescadores de Sausalito, não é só por ter Oakland e Berkeley ao lado. San Francisco rebenta a escala do Presidio a ver a circulação dos carros na vermelha, dourada e mítica ponte de San Francisco. De frente para a Alcatraz do Al Capone, a comer donuts num quiosque pequeno, atrás de andaimes, de frente para o “Carnaval”. San Francisco, San Francisco no chili de Mission, nos antiques e nos cafés de Haight Ashbury, nos teatros e bandeiras do Castro, nas sobreposições de Chinatown, no Beat da Broadway, na poesia da City Lights, nas cervejas do Vesúvio, a jantar “naked lunches”, a descer aos ésses apertados em Lombard Street, na noite adiada de Fillmore, nos neons de North Beach.

Há flores imaginárias nos cabelos de San Francisco, flores como praças e ruas de Lisboa.