Hué I Vietname
Hueeeeeeeeeee!

A velocidade média das nossas palavras é de 40 km/h. São palavras de cabelo ao vento, chuva na cara e mãos agarradas ao dorso do Phi e do Cong. Atravessar Hué demora uma ponte, uma grande avenida, um corte à direita, outro à esquerda, depois ultrapassam-se dois vilarejos e estamos no Tu Hieu Pagoda – travagem suave para um desvio silencioso.

50km/h a enrolar incensos e a entrançar chapéus em bico. 5 km/h a mastigar o phò e o bun cà. Marcha lenta até ao Túmulo do Imperador.

Tu Duc, metro e meio de poesia e despotismo, luxo, luxúria e lascívia. Mais de uma centena de mulheres e umas tantas concubinas, filhos, nenhum. Um terror só. Tu Duc, o caprichoso, passou anos a arquitetar o seu túmulo imperial, a sua última morada ou a sua última fachada – Tu Duc ludibriou todos. Na hora da morte, o destino foi outro, e quem guarda o segredo do verdadeiro túmulo é um túmulo, o mesmo de Tu Duc e dos 200 “coveiros” mortos para enterrarem com eles este segredo.

Seguimos o cheiro a canela, aceleramos até ao rio perfumado e encostamos no Thien Mu Pagoda. é certo que a certa altura os pagodas nos parecem todos iguais, os arrebiques e os vértices aguçados perdem o encanto da primeira vez, e subir todas aquelas escadas, de todas aquelas vezes, nos sufoca em ataques de riso, em “tem mesmo de ser”, em cabeças a abanar e “vás”, “oupas” e “andas lá”. Mas desta vez chegámos a tempo da oração.

Sete minutos para dar a volta à Citadel, dar a volta à cidade imperial e contornar a cidade proibida. Nos mesmos sete minutos pôs-se o sol em Hué e na ponte bateu a hora de ponta.

Prego a fundo na disco local e faz-se a meia-noite a correr entre os putos a dançar MGMT, a meter conversa e a deixar números de telefone, já que a deixa é “Hey, I just met you, and this is crazy”. Se vamos ligar? Talvez.

40, 50, 60, 70, 80 Km/h, nas rectas o ponteiro chega a raspar nos 80. Chegar a Hoi An demora vinte quilómetros de céu azul, um ror de lagos, três copos de chá verde, uma carga de água, dois impermeáveis, uma elephant water fall, quarenta quilómetros de nevoeiro cerrado, duas idas à casa de banho, uma vista da montanha para o mar, um bunker americano, uma vista do mar para a montanha, uma vendedora competente, barrotes de bibelôs em mármore, quatro pagodas, dois elevadores panorâmicos, um desvio à direita, uma cidade industrial, três passeios à beira mar, um desvio à esquerda e chegamos. Oito horas passaram rápido de mais à pendura de tantos lugares sem fôlego.