Chennai I Índia
Ai Chennai!

Estávamos de passagem. íamos apanhar o avião para Banguecoque e pronto. Mas tínhamos que ir à praia. Chennai é conhecida por poucas coisas, mas uma delas é a Marina Bay, uma praia desafogada de ondas traiçoeiras e bonita para passear. Mas nós tínhamos que ir à do lado (e desta vez nem foi de propósito). A praia do lado – Chepank – é a praia dos pescadores e dos slums, do areal sujo e dos miúdos arrepanhados. Tínhamos que ir direitinhas ao parque de diversões estropiado pelos ares do mar e pelos maus ares da zona. Tínhamos. Tínhamos mesmo que percorrer mais de 3 km naquele areal duro. Tínhamos que esfrangalhar os pés e a paciência. Tínhamos? Mas porque é que eu tinha que te dar ouvidos? Porque eu tinha que chegar à ponte. Tinhas? Tu tinhas era que ver o mapa. Mas as pessoas estavam a ir para lá. Mas havia mais a vir para cá. Mas depois avistámos a ponte. Mas a ponte estava partida. Sim. Pegámo-nos. Eu bem te disse que íamos ter que voltar para trás. Descuuuuulpaaaa, ‘tá?

Metemo-nos num táxi a contar com o grande e auspicioso aeroporto de Chennai. Já estávamos a sonhar com os duty frees, os franchisings e os fast foods junto das gates. O taxista acalentava-nos a ilusão e falava do imenso e faustoso aeroporto. E até falava francês e até nos embalava com o Fréres Jacques, enquanto lhe dávamos biscoitos de chocolate e amendoim.

Isto? é isto? Tínhamos que marcar voo no aeroporto mais ranhoso das redondezas, tínhamos que comer o hambúrguer mais rançoso da única bodega aberta, tínhamos que ter chegado com duas horas de antecedência. Tínhamos, tínhamos que nos entreter. Contámos as rupias, juntámos-lhe os últimos euros e fomos comprar chocolates.