Trancoso I Brasil
Novas Baianas

As sandálias ficam à porta. Chegámos a Caraíva. Afinal há lugares assim, singelos, suaves, serenos. Resguardada pelo canal, protegida pelo mar, abrigada e adoçada pela gente de lá. Uma padaria, dois mercadinhos, o bar do porto, os albergues junto à praia e de frente para o rio, a criançada que se pendura nas árvores e balança, as mães parece que andam a fazer recados de lá para cá, os pais que andam de barco de cá para lá, e quem não é de lá, lá enrosca o passo nestas voltas. As sandálias ficaram à porta sim e nós fazemos as três ruas de chão de areia umas dez vezes por dia, vamos ao pão, ao abacaxi, à água, às maçãs, damos os “bons dias” à gente sorridente que cruzamos, todas as vezes que saímos de casa. O pequeno-almoço é na soleira da porta e a praia ao fundo da rua, mas o mar está revolto e o mergulho dá-se quando o rio entra no mar e as cores da água correm do verde ao turquesa, agitam-se do castanho ao vermelho. Caminham-se nove quilómetros de praias desertas, delineiam-se palmeiras e sobem-se encostas até ao Espelho. A maré subiu e a massa de água engole os corais, mas pede mergulhos, arrisca saltos e deita-se ao sol, estafada. E a volta é à boleia, a noite é de forró e o dia seguinte calça as sandálias e vai até Trancoso.

é tudo verdade, as revistas, as reviews, os recortes, os reclames, o charrrrme. Mas o charrrrme não tem nada que ver com francesisses ou outras delicadezas europeias, tem apenas que ver com a delicadeza que olhou para a cultura de cá, não há listas azuis e brancas, há tucanos, araras, ananases, grandes flores a fazer padrão, as cadeiras não são de ferro forjado, são de madeiras largas, tábuas macias, bambus amarrados, e as casas, rasteirinhas, são cor de verão. à noite há luzes a cair das árvores frondosas a iluminar os cafés, os restaurantes, as lojas que vendem o que é de cá, os biquínis, as cangas, os vimes, as sandálias, os barros e as palhinhas. Ao centro deste Quadrado pasta um cavalo, preso a coisa nenhuma, de frente para a igreja tão branca quanto humilde. E é ao dar a volta à igreja que percebemos que estamos num morro e que em baixo bate o mar. Descemos, hoje as nuvens estão carregadas e até chove, mas a praia é uma beleza e a água de coco sabe bem na esplanada de chapéus de sol chapéu e de bar barco.